quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Primeiro Acampamento - Nizi e Lily

Verão de 1978 é aqui que começa nossa aventura. Nizinho com 19 anos e Lily com 17 anos vivem a bordo de um fusquinha e na companhia de mais algumas pessoas sua primeira experiência campista.
O destino? A pouco conhecida praia de Camburi das Pedras em Ubatuba (lembre-se era década de 70 e nesta região só habitavam caiçaras e vez por outra um grupo de malucos como eles).
Pra você entender passo a passo como eles se enfiaram nesta “roubada” campista vamos explicar tudo desde o princípio.
O Nizinho, rapaz responsável, trabalhava com um amigo chamado Tiziano (italiano doidão) que conheceu sabe-se Deus como uma galera dos cursos de filosofia, sociologia e história da Fundação ABC (nesta época só dava bicho grilo nesta faculdade e notem bem os cursos – sentiu a brisa né?).
Um avisa pra um, que avisa pro outro e assim por diante até que chegaram ao alarmante número de 64 pessoas – pensa num acampamento grande! O mais interessante foi saber que desta multidão o casal conhecia apenas Cirlenoca (irmã do Nizi) o Tiziano (o tal amigo de trabalho) e um outro cara que eles nem lembram mais o nome... ou seja, esses malucos estavam indo acampar com meros desconhecidos numa praia deserta (agora eu sei porque eles demoraram mais de vinte anos pra contar a história completa).
Como eram campistas de primeira viagem eles não possuíam nenhum tipo de equipamento, nem mesmo um mísero colchonete. Nizi, Lily e Cirlenoca foram com a cara e a coragem – na bagagem apenas roupas para passar o feriado de carnaval (vejam pelo lado positivo, ao menos eles tinham carro!).
Pra que você não pense que os fundadores da Podinha eram completamente insanos esclarecemos que eles só toparam a viagem porque um dos conhecidos tinha uma barraca extra que seria emprestada.
Continuando... o Daniel (in memoriam) era o único que conhecia realmente o lugar e já estava acampado lá, portanto, nenhum componente da caravana campista sabia ao certo o caminho e o local exato.
O grupo marcou o encontro por volta das 22:00 (sim, os loucos iam viajar para um lugar desconhecido a noite) e conseguiram partir por volta da 00:00 horas (eram todos muito organizados e disciplinados). Isto porque algumas pessoas ficaram de encontrá-los no caminho.
Tudo pronto, uma enorme caravana (cerca de 16 carros) toma rumo à Ubatuba, mas por influência de algum gênio canguinha pegaram o caminho via Mogi das Cruzes/ Salesópolis através de um trecho de terra sem iluminação ou sinalização à beira de um enorme barranco para fugir de apenas 1 pedágio (sim caros amigos, ele era muito sovina).

O combinado era ao final da estrada de terra aguardarem o resto da caravana chegar para enfim pegarem a Dutra. Foi durante este período de espera que um membro percebeu que o carro que tinha no bagageiro 2 barracas e demais equipamentos (sendo uma delas a que seria emprestada para nossos queridos fundadores) havia misteriosamente desaparecido.
O bagageiro mal apertado simplesmente caiu em algum lugar desconhecido e não se sabe como até hoje os passageiros do carro em questão não perceberam que quilos de equipamento caíram do automóvel - há duas hipóteses: o garrafão de vinho foi consumido no percurso ou a estrada era tão ruim e o carro pulava tanto que mesmo alguém caindo do carro não seria notado (detalhe isso realmente aconteceu).

Mas, todos sobreviveram e optaram por prosseguir a viagem para acampar sem barraca em um camping selvagem. Mais uma vez para zelar a imagem de nossos heróis, explicamos que eles só continuaram a empreitada porque lhes foi assegurado que haveria espaço nas outras barracas para que pudessem dormir.
Resolvida a questão, a marcha rumo ao desconhecido prosseguiu e entre trânsito, paradas e muita gente se perdendo o grupo estava completo às 15:00 horas do dia seguinte (isso mesmo leitores, eles demoraram 15 horas pra chegar em Ubatuba rs).
O detalhe deste momento: todos chegaram no local indicado na pista, onde havia uma ribanceira a ser descida (para enfim chegar na praia). A descida era tão ruim que para que os carros pudessem descer com o mínimo de segurança era necessário que todos os passageiros saíssem e o carro prosseguisse apenas com o motorista. Finalmente depois de toda esta odisséia o grupo chegou à praia.

Tarefa cumprida o restante da tarde passou agradavelmente. A “roubada” só foi percebida quando a noite caiu e nossos queridos foram ver onde iriam dormir. Quando lhes foi apresentado o local de repouso eles se deram conta da situação. A barraca designada era redonda parecendo um circo, o chão era direto na areia e pra melhorar tinha uma galera dormindo lá dentro já toda amontoada, Obviamente que eles resolveram dormir no carro (só pra ilustrar, 4 pessoas passaram 4 noites dormindo praticamente sentadas dentro de um fusca). Segundo a Lily eram noites intermináveis e Nizi disse que só faltava rezar pelos primeiros raios de sol. Mas, no dia seguinte apesar da noite mal dormida, todos estavam bem dispostos já que o lugar era magnífico e não valia a pena perder tempo.
E foi assim, dormindo no carro, dividindo comida com mais de 60 pessoas e em lugar paradisíaco que os fundadores da Podinha se apaixonaram pela vida de caracol.
Quando voltaram de viagem providenciaram a compra de uma barraca, bem como de todos os equipamentos necessários e assim aos poucos foram se transformando em verdadeiros campistas. Chegaram a acampar mais algumas vezes com o grande grupo, porém, acabaram difundindo a vida de caracol entre amigos, criando assim seu próprio grupo de campismo.
Infelizmente não há registros fotográficos deste primeiro acampamento, então as fotos que ilustram este relato foram obtidas na web, porém, estamos digitalizando algumas fotos do grupo já mais organizado e postaremos aos poucos para que todos possam ver como eram os acampamentos antigos, onde reinavam as barracas gigantes e muito pesadas!

E você quer nos contar como foi seu primeiro acampamento?
A experiência foi boa ou ruim?
Participe nos comentários ou se quiser mande o texto e fotos para o e-mail podinhas@gmail.com que postamos aqui sua história com os devidos créditos.

Ajude partilhando suas experiências para que cada vez mais pessoas descubram as maravilhas do campismo!
Abraços campistas.
Nizi e Lily



3 comentários:

  1. Muito Bacana a História!
    Realmente é engraçado, pois tenho certeza que se acontecesse isso hoje em dia, muitos não acampariam novamente! Jamais! hahahaha
    Como eu gostaria de ter vivido nessa época!
    Abraços!

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  2. Certamente muitos teriam desistido quando a barraca caiu do carro rs.
    Mas, se tratando daqueles dois malucos a história não poderia ter sido outra... gostaram e acabaram viciando o restante da família!
    Abraços

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  3. Olá! Estava fuçando os arquivos do blog e achei essa jornada a Camburi.
    Acampei lá no último carnaval. Apesar de uma muvuca (devido ao feriado), amei o vilarejo.
    Uma amiga minha, que acampa lá há vinte anos, me levou a esse paraíso. Voltarei logo em breve. Hoje, já tem energia elétrica e o celular pega na ponta da praia, perto da lagoa. Mas lá, esquecemos da vida e dos problemas.

    Foi meu terceiro camping. Para o próximo, irei com minha própria barraca.

    Parabéns pelo blog :-)

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